segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Peso de mochilas, problema para saúde dos estudantes

Gabriela Zacariotto

O volume do material escolar que os estudantes devem carregar é grande. São diversos livros, cadernos, pastas, apostilas, entre outros. Com isso, na hora de colocar tudo na mochila e ir para a escola, muitas vezes o peso carregado pode ser muito maior do que o indicado pelos especialistas.
Segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia, cerca de 60% a 70% dos problemas de coluna vertebral dos adultos são causados na adolescência, e o peso excessivo da mochila escolar, na maioria dos casos, é o principal culpado.


A recomendação é para que o peso máximo carregado pelos estudantes não ultrapasse 10% do peso do estudante.


Existe, até mesmoum proposta para regulamentar a questão. O Projeto de Lei 6338/05, do deputado Sandes Júnior (PP-GO), proíbe o uso de mochila escolar com peso excessivo. Uma emenda do relator, deputado César Bandeira (PFL-MA), elevou o peso máximo da mochila para 15%.


De acordo com ortopedistas e fisioterapeutas, o excesso de peso nos discos intervertebrais reduz o espaço entre as vértebras, comprimi as raízes nervosas, o que pode contribuir para o aparecimento da hérnia de disco.


Segundo o fisioterapeuta Genilson Furigo, a situação é mais preocupante entre as crianças com idade entre sete e 12 anos. O motivo, segundo ele, é o fato de que elas ainda não têm a parte muscular delas não está madura e a formação pode ser comprometida com a sobrecarga. O sedentarismo, segundo ele, também agrava o problema e aumenta as possibilidades de a criança desenvolver problemas na coluna.


Existem algumas alternativas para evitar que os estudantes sejam submetidos aos riscos de se carregar um grande volume de material escolar. A principal delas seria a escola fornecer armários para que o material fosse guardado para que o estudante somente o retirasse no momento do uso, evitando que os livros e cadernos fossem carregados de um lado para outro diariamente.


Como nem sempre é possível que a escola adote tal atitude, a alternativa sugerida pelos especialistas é para que o horário de aulas seja organizado de maneira a permitir que a menor quantidade de material seja carregada diariamente.

PREVENIR


Mas, se carregar à mochila é inevitável os especialistas dão algumas dicas para evitar problemas de saúde futuros.


A principal delas é se atentar para que o peso da mochila não ultrapasse o máximo de 10% do peso do estudante. Além disso, na hora de carregá-la o peso deve estar distribuído nos dois ombros e não de um lado só.


O modelo da mochila também merece uma atenção especial. A escolha deve ser feita, sempre, pelas que tem amortecedores para a região dorsal e cinto para mantê-la junto ao corpo. Além disso, as alças devem ser acolchoadas para amortecer a pressão do peso sobre os ombros.
Outra possibilidade é optar por bolsas com rodinhas para facilitar que o estudante transporte o material. Mas, neste caso, é preciso se atentar par que o puxador tenha uma altura compatível com a da pessoa. Neste caso, o braço utilizado para puxar a bolsa deve ser alternado com frequência, para evitar riscos de escoliose e outras doenças semelhantes.


Para Furigo, a melhor escolha é a mochila de colocar nas costas, desde que o peso máximo seja observado e ela seja carregada nos dois ombros, pois as de rodinhas ainda podem gerar problemas, caso o braço que a carrega não seja alterado.


Nos casos em que não a criança já desenvolveu algum problema ainda há possibilidade de tratamento para evitar complicações. Algumas das alternativas, segundo o fisioterapeuta, são a fisioterapia tradicional, Reeducação Postural Global (RPG), Pilates e ainda atividades físicas como natação e alongamento, sempre acompanhadas de perto pro um profissional capacitado.

Texto publicado no jornal "A Comarca", em 20/02/2010

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