segunda-feira, 19 de abril de 2010

Vereadores vetam adolescentes de 17 anos no Parlamento Jovem


Gabriela Zacariotto

Na sessão de Câmara, desta semana, os vereadores de Mogi Mirim voltaram a discutir o Parlamento Jovem, que foi instituído no ano passado e deve ter sua primeira sessão no próximo mês. O projeto que foi aprovado por unanimidade, desta vez gerou grande polêmica e foi, inclusive, debatido a portas fechadas.
O assunto voltou a pauta de discussão devido a uma emenda apresentada pelo autor do projeto, o vereador Luís Gustavo Stupp (PDT). Na proposta de alteração do projeto, ele ampliava a idade limite dos participantes do Parlamento Jovem para 17 anos. No texto original o projeto era direcionado para criança que cursassem até o nono ano do ensino fundamental e com idade máxima de 16 anos.
A emenda não foi bem recebida pelos legisladores, que optaram por discutir o assunto a portas fechadas, durante uma suspensão da sessão. O objetivo era que imprensa não acompanhasse a discussão, mas o tom do bate-boca foi tão elevado, que do lado de fora da sala foi possível ouvir algumas declarações mais exaltadas dos vereadores contrários à mudança. Uma desta foi feita pela vereadora Márcia Rottoli de Oliveira Masotti (PT), “não gostaria de ter alguém com 17 anos comigo para ser candidato depois”, disse.
Depois de deixar a sala onde o assunto foi extensamente debatido, a vereadora petista ao perceber que a imprensa tinha ouvido as declarações, justificou sua posição contraria a emenda proposta por Stupp.
Segundo a vereadora, se a idade dos participantes for ampliada o projeto perde seu objetivo inicial, “a ideia é politizar e um jovem de 17 anos já está politizado”, disse. Para Márcia, o ideal é que o trabalho do Parlamento Jovem seja realizado com crianças para que os vereadores ensinem o que é lei e as funções do legislativo.
Grande parte dos vereadores se mostrou contrária a alteração da idade máxima dos participantes.

Ciúmes
O vereador Stupp rebateu as criticas em relação à alteração da idade e informou que apresentou a proposta após receber pedidos várias diretoras para que ampliasse a idade dos participantes no Parlamento. Apesar de seu argumento o vereador não conseguiu simpatia de seus pares para a medida, “o ciúme não permite”, disse.
O vereador comentou que acredita ser mais fácil trabalhar com crianças, mas que com a emenda pretendia atender ao pedido apresentado pelas escolas, “eu concordo porque é o anseio das diretoras”.
Apesar de afirmar que atendia a pedidos quando apresentou a emenda, Stupp optou por retirá-la da pauta de votações. Segundo ele, a atitude foi tomada para evitar uma manobra política. Stupp alegou que um grupo de vereadores iria apresentar uma segunda emenda, para que o projeto entrasse em vigor apenas em 2011. Retirando a proposta de votação o pedetista afirmou que apenas visava garantir que o Parlamento Jovem iniciasse suas atividades rapidamente.
Quanto às reclamações que recebeu por tentar alterar a idade máxima dos participantes do projeto, Stupp se mostrava descontente e acusou os vereadores descontentes com a possibilidade de estarem amedrontados com a possibilidade de surgirem novas lideranças políticas na cidade. “O povo tem medo de perder sua vaguinha”, alfinetou.

Sessão
A primeira sessão do Parlamento Jovem estava prevista para ocorrer no dia 04 de maio, mas devido a polêmica que ocorreu nesta semana a data será adiada.
“A cerimônia de posse terá de aguardar mais um pouco, enquanto algumas alterações são realizadas no material que será encaminhado às escolas, num total de 14. Ao todo 17 jovens deverão ser empossados, após processo eleitoral que será realizado no interior de cada unidade educacional participante”, informou, por e-mail, a assessoria do vereador.
Por enquanto, não há uma nova prevista para o início do trabalho.

Matéria divulgada no jornal "A Comarca" 17/04/10

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