segunda-feira, 29 de março de 2010

Professores pedem apoio dos vereadores à pedidos da categoria

Gabriela Zacariotto

Um grupo de professores da rede estadual, de Mogi Mirim, que aderiu à greve iniciada em São Paulo no último dia 08 de março, estive na sessão de Câmara desta semana para pedir apoio dos vereadores à causa.
No início da noite, 10 educadores aguardavam a abertura da Tribuna Livre para que a professora aposentadas Iraci Ribeiro Diegas, pudesse discursar em defesa do movimento deflagrado pela Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo). Porém, como o discurso foi à última atividade da noite, iniciado por volta das 21h, o número de manifestantes presentes que já era pequeno ficou ainda mais reduzido, já que algumas professoras deixaram a Casa de Leis sem aguardar pelo discurso da representante dos grevistas.
Quando, finalmente, pôde realizar seu discurso à professora aposentada fez questão de iniciar o trabalho enfatizando que a greve não foi iniciada apenas com o objetivo de conseguir reajustes de salário, mas, também, para conseguir melhoras nas condições de educação verificadas no Estado e nas condições de trabalho dos docentes.
As situações apresentadas por ela como base do movimento na tentativa de melhorar a qualidade do ensino foram: salas de aula apertadas, a falta de materiais, más condições de trabalho, jornadas excessivas, demissões frequentes, falta de direitos trabalhistas, a realização de provas para a manutenção do professor na condição de temporário e aprovação automática dos alunos.
Já para tratar da questão da melhoria dos salários solicitada, Iraci apresentou números. Segundo foi colocado, os professores do ciclo de alfabetização (PEB I) recebem R$ 6,55 por hora-aula e os dos demais anos (PEB II) R$ 7,58 por hora-aula. Outro ponto de crítica é o valor do vale alimentação, que é de R$ 4,00.
Com base nos números apresentados, um professor de que trabalhe 40 horas semanais, sem benefícios, do PEB I terá um salário bruto aproximadamente de R$ 1.048,00, já para os de PEB II a renda bruta mensal fica próxima de R$ 1.212,00
Segundo os dados apresentados pela professora em nome da Apeoesp e com base em panfletos e documentos do próprio sindicato, o salário pago para os professores da rede estadual de ensino de São Paulo ocupa a 16ª posição entre os piores do país.
Outro ponto criticado no discurso de Iraci é o pagamento de bônus aos professores. “Bônus a gente considera enganação e ainda divide a categoria”, disse. Segundo ela, é necessário que seja concedido um aumento real no salário dos educadores e não a concessão de prêmios.

Apoio
O vereador Cinoê Duzo (PPS), que é professor, deve elaborar, nos próximos dias, um requerimento em apoio aos pedidos dos professores, mas, o próprio vereador não acredita que o documento surtirá efeito, já que na próxima semana não haverá sessão e o documento seria aproado apenas em no dia 05 de abril, quando o movimento já deve ter se encerrado.

Pedidos
Segundo informações do coordenador da sub-sede da Apeoesp em Mogi Mirim, Ricardo Augusto Bottaro, a categoria diminui a lista de solicitações apresentadas para a negociação. Ele afirma que foram mantidos apenas os pedidos de aumento salarial de 34,3% e incorporação dos benefícios aos salários.
O motivo da mudança nas solicitações seria a intenção de facilitar uma possível negociação com o governo do estado.
Inicialmente, de acordo com documentos da Apeoesp, as solicitações dos professores eram: um reajuste salarial imediato, incorporação de todas as gratificações aos salários, plano de carreira justo, garantia de emprego, fim das avaliações excludentes e reformas que prejudiquem a educação, entre outras.

Paralisação

Segundo informações Bottaro, cerca de 10% dos professores de Mogi Mirim ainda estão em greve. A principal escola afetada é a “Professor Ernani Calbucci”, onde quase todos os docentes estão parados. Nas escolas Coronel Venâncio, Rodrigues Alves e Altair Polettini, apenas alguns professores se mantém em greve.
Na região o número de grevistas atinge 40%. O maior índice de paralisação é verificado em Itapira.

Textodivulgado no jornal "A Comarca" 27/03/10

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